Olá! Tudo bem com você?
Aqui é a Daiany Dezembro, e vamos para mais um bate-papo de reflexão e aprendizado musical?
Hoje eu quero conversar com você sobre um importante ponto: você sabe o que te falta para ser realmente bom na música?
Pois talvez você nem saiba que te falta algo… ou talvez você pense que te falta disciplina, talvez você pense que te falta motivação, talvez ainda você pense que te falta talento mesmo… Mas todos estes aspectos são apenas a ponta do iceberg, e escondem algo mais profundo, que realmente é o que te falta – e provavelmente, você ainda não tenha enxergado por este prisma.
Gente, estudar música deve ser algo acima de tudo, estratégico. Sim senhor(a)! Estratégia é uma palavra com origem no termo grego strategia, que significa plano, método, manobras usadas para alcançar um objetivo ou resultado específico. Ou seja, uma estratégia é estipulada para ultrapassar algum problema, por isso, pode ser sinônimo de habilidade, astúcia ou esperteza.
Pois o segredo se queremos avançar e nos tornarmos bons na música, é aprender a ter um estudo estratégico – o que é totalmente diferente de ser disciplinado(a) e estudar todo dia. Ter uma visão estratégica da nossa prática diária implica conhecer alguns princípios, e logicamente, aplicá-los. Pois veja alguns deles:
- É preciso analisar a música que se vai estudar, analisar seus elementos musicais (rítmicos, melódicos, harmônicos, formais, expressivos e técnicos) antes de tocar e assim, estudá-los fora do instrumento, compreendendo a linguagem daquela música e preparando seu corpo para tocar a música.
- Ter o hábito de se gravar continuamente, como parte da lapidação e domínio daquela música – porque quando você se grava para depois ouvir e analisar, prestando muita atenção, você consegue perceber pequenos detalhes que passaram despercebidos, e o que você pode refinar na sua interpretação… Por exemplo, se está no andamento correto, se há erros rítmicos que você nem percebeu na hora de tocar.
- Ouvir um performer de referência executando aquela peça que você vai tocar e prestar muita atenção na sua execução. Aliás, como efeito comparativo, ouvir diferentes performers – comparar suas interpretações, suas diferenças, suas características. Analisando-os mesmo, e extraindo dessas interpretações, a inspiração e os objetivos para o seu estudo diário.
- Ter metas gradativas, estudar trecho a trecho da música, em separado, focando no aprendizado em detalhes específicos. E então, aos poucos, ensinar seu corpo a ir do micro para o macro novamente – aprendendo a conectar esses pequenos trechos que se praticou em separado, como parte de um todo, numa sequência interpretativa lógica. Quebrar a música em partes é uma ótima estratégia de estudo, mas depois você precisa voltar a conectar os trechos, porque você quer tocar a música inteira e sem ficar travando.
Mas veja, para que tudo isso aconteça, é preciso ter clareza se você não está “passando a carroça na frente dos bois”. Eu estou querendo dizer que você precisa analisar o nível da música que está treinando, porque às vezes o repertório escolhido não era para você neste momento – e especialmente se você é autodidata em seu instrumento, esse erro é muito comum, pois você escolhe as músicas que vai aprender, unicamente pelo seu gosto ou necessidade musical, mas não avalia o nível de dificuldade técnica e musical dela. E então, por diversas vezes fica travado ou sofre muito em cada dia de estudo, briga com o instrumento.
A escolha errada de repertório, ou melhor, do momento de estudo desta ou daquela música, é um grande erro e para evitá-lo você precisa ter condições de analisar se aquela música escolhida é para você neste momento. Como fazer isso Daiany? Tendo conhecimento musical e técnico. Toda música possui elementos musicais e técnicos que você precisa aprender a identificar e pensar: eu já domino esses elementos aqui? Há muitos elementos novos juntos?
Identificar estes elementos e colocá-los numa balança do quanto você já tem experiência ou não com cada um deles, te ajudará a refletir melhor sobre o nível de exigência daquela música, naquele momento. Agora, como ter critérios para saber o nível de uma música? Faça um raio-x em cada uma das camadas musicais presentes ali na partitura, ou nas cifras, ou mesmo na gravação. Avalie quantos você já conhece, quantos são novos e quais você nunca praticou ainda. Vou citar alguns exemplos dos elementos musicais que você pode analisar em cada uma dessas camadas:
- Camada Rítmica – fórmulas de compasso, tempo, pulsação, contratempo, síncopes, células rítmicas, andamento, figuras rítmicas, levadas rítmicas, polirritmia, leitura rítmica, dentre outros.
- Camada Melódica – claves utilizadas, tessitura de notas abrangida pelas frases musicais, leitura das notas, afinação das notas, intervalos melódicos, saltos, notas duplas, escalas, polifonia, dentre outros.
- Camada Harmônica – acordes, progressões harmônicas, cadências, tonalidade, campo harmônico, modos, dentre outros
- Camada da Musicalidade – dinâmica, forma musical, frases, períodos, seções, caráter interpretativo, ornamentos, gênero musical, dentre outros
Claro que, para fazer isso, você precisará nutrir o seu conhecimento musical, dominar a linguagem musical e alcançar maturidade na música. Só assim você ganha independência e toma as rédeas do seu estudo de música, por um caminho claro de metas musicais gradativas.
Como dica, saiba que quanto mais aspectos novos você encontrar em uma música (em qualquer uma das camadas), mais difícil esta música é para você nesse momento – o que facilitará sua decisão sobre começar ou não a estudar esta música agora. O que eu te indico, é que você identifique no máximo 5 ou 6 pontos novos naquela música. Porque assim você resolve gradativamente cada um deles, sem ter um estudo constantemente “sofrido”, dando tempo para que seu corpo construa as conexões musculares necessárias para desenvolver o domínio técnico interpretativo daquela música.
Se necessário, é possível que você encontre versões facilitadas das mesmas músicas (em partituras mais simplificadas, em cifras transpostas de tonalidades ou mesmo rearmonizadas, ou ainda, em outras levadas), e assim você tem a oportunidade de já aprender esta música, ainda que não na sua versão original, mas sim, na versão condizente para o seu momento atual de domínio musical. Pense nisso!
Espero que você tenha gostado desse bate-papo de hoje e que ele possa te ajudar a crescer na música, organizando sua forma de estudar dia após dia. A gente se encontra então nos próximos. Até mais!